xmlns:og='http://ogp.me/ns#' A dez quadras daqui.

terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre smartphones, pipocas e o circo.


Se existe alguém que não entende certas coisas com frequência, essa pessoa sou eu. Estou trabalhando como usher no Cirque du Soleil aqui em Porto Alegre e assim sendo vejo de tudo e mais um pouco. É meio como aquelas histórias malucas de livreiros por aí.


  • Se você pagou um serviço extra (caro, muito caro), por favor vá lá aproveitar ele. Se não for aproveitar por você, aproveite por mim que não consigo entender como as pessoas pagam pra ir no Tapis Rouge e aparecem lá 5 minutos antes do espetáculo começar!

  • Se existem pessoas pra colocar você no lugar certo, DEVE HAVER UM MOTIVO. Nesse caso é: existem pelo menos 4 assentos com o mesmo numero de cada lado do circo com a fileira de mesma letra. Logo praseperderéumamaravilha. Mas claro, você pode falar cents mil vezes pro cliente esperar até alguém voltar que sempre haverá um danado autossuficiente que diz "eu sei, é ali" e obviamente vai sentar no lugar de outro, e eu vou rir por dentro na hora que ele tiver que levantar. Claro, que essas pessoas são uns 3%. Mas quando todos resolvem chegar 5 minutos antes do espetáculo começar, a coisa complica pra todos os lados.

  • Pipocas! Pipocas são uma maravilha, especialmente dentro do seu estomago e não no chão onde elas viram gremlins e se multiplicam enlouquecidamente. Se junta elas com refrigerante a coisa então fica linda, muito linda...

  • Sabe, eu amo tirar fotos, mas, me conta ai qual o desespero de não poder tirar fotos durante o espetáculo. Vamos combinar que um flash no meio daquela acrobacia maravilhosa é de arrasar, né?! Ai aquela acróbata linda erra a mão pq sem querer olhou pro lado errado na hora errada e tibum no chão, de uma altura de 6 metros. Sou trágica. Agora, uma pessoa fofa, desliga o flash - e deixa a tela do smartphone ou da câmera ligada e fica aquela luz no meio da escuridão atrapalhando todas a pessoas da volta - e viola as leis de direitos autorais. Ai tem aquela pessoa prestativa que tira o flash e desliga a a tela da câmera  e esquece que te uma luz vermelha piscando ao lado da tela e que usher bom é usher rápido que vê, pede pra pessoa desligar e ela ainda diz, com a maior cara de inocência: "ah, não pode tirar foto? E filmar, pode?". Só pra esclarecer: se quer mesmo ver a peça de novo compra o DVD que vai estar em HD, sem pessoas na sua  frente e com ângulos lindos. Se for pelo status de dizer que foi, tira uma foto no intervalo com a cortina de fundo (linda, toda pintada a mão) e mostra pra todos os invejosos o seu ingresso do dia anterior.

  • Seu filho é um mala? Deixa ele em casa e de preferencia junto com seu tablet pra ele ficar jogando em vez de pagar 240 reais de entrada pra ele ficar jogando Pou dentro do Cirque. (isso entra na parte de status, tb?)

  • Você foi obrigado a ir ver o show? Se sim, meus pêsames que você, mesmo obrigado, não consiga curtir aquela coisa linda de morrer. Se não, acessa o facebook outra hora.

  • Você é estudante? Leu o que estava escrito no ingresso? Se não levar comprovante com data de validade não entra.

Agora, tirando as bizarrices, hoje vai ser meu último dia lá e só sei que vou sentir saudades. Saudades da trilha, dos números, das pessoas, dos casos extraordinários, da comida, das festas, do Mauro.

E pra ficar com vontade:



Tchau, Mauro!

P.S.: E no final "pegue seu lixinho e saia de mansinho".


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Me indique um livro #1: Frankenstein





  • Primeiro: Tire de sua cabeça aquele cara alto, verde, com o crânio achatado e parafusos na cabeça. É tudo bem pior que isso.

  • Segundo: Apesar de o monstro dizer que é filho de Frankenstein, pois foi ele quem o criou, o monstro não se chama Frankenstein. Não, não. Ele é tão desprezado que nem mesmo tem um nome. Na tradução que li o chamam de demônio o tempo inteiro. Vitor Frankenstein é o seu criador.

  • Terceiro: Minha ideia... - escrever ideia sem acento me irrita -. Minha ideia não é fazer uma resenha formal, e vou tentar não soltar spoilers, ok?


 Pra começar, devo dizer que achei o livro incrível - alguns podem até dizer que acho tudo que gosto incrível, e eu estou disposta a não negar, rs. Há algum tempo eu estava enrolando pra ler, achando que poderia ser um livro "quadrado" por causa da época em que foi escrito. Nein.

 Decididamente é muito diferente da forma de escrita dos últimos livros que li, as vezes eu sentia que meu ritmo de leitura dependia de uma métrica que talvez eu mesma tenha criado. Existem livros que leio em um ritmo frenético, outros que me fazem ter sono, mas este tinha um ritmo claro e constante (não a ponto de dar sono, ok?).
 A história é infinitamente melhor que qualquer versão que eu já tenha ouvido ou visto (já de partida dizendo que ninguém vai me obrigar a ver essa coisa horrível que está nos cinemas agora). Ela é contada por cartas do Capitão Robert Walton, que encontra Victor Frankenstein no Ártico, a sua irmã, Margareth Seville. Ele conta como encontrou o já adoecido Frankenstein logo após ele e sua tripulação verem ao longe um trenó sendo guiado por algo que não parecia humano e escreve os acontecimentos narrados por Frankenstein desde sua juventude extremamente feliz, passando pela vontade voraz de criar um ser que o aceitasse como seu criador e chegando na parte, pra mim, crucial do livro: a completa negação desse ser por parte dele.
Imagine um ser que simplesmente acorda, com alguma consciência, mas sem o poder da comunicação ser rechaçado por aquele que o deu a vida. Ai. Doeu ni mim.
 A relação - ou não relação - entre os dois é dolorosa para as duas partes e bem, não consigo ficar ao lado de Frankenstein. O ser criado por ele era puro de alma, mas um monstro na aparência e por causa disso (especialmente) o seu criador o despreza e sim, o odeia. Pobre monstro, que nas melhores intenções foi humilhado, e quando tentou vingança não foi entendido.
 Vamos lá: não sou a favor da vingança, mas né, é um livro, ele um monstro muito carismático, a Mary Shelley escreve lindamente e o Frankenstein é um baita egoísta logo de saída. Eu podia aqui fazer um discurso enorme defendendo o pobre e, em termos técnicos, xineleando o cientista; mas acho a maior falta de sacanagem influenciar tanto assim sobre a leitura de quem ainda não leu o livro.

Resumindo: é um livro que vale a pena. Dos bons mesmo.

Eu li: Frankenstein de Mary Shelley da coleção L&PM Pocket, com tradução de Mécio Honkins. Por indicação do Domênico Gay.

Quem tiver o Skoob, me adiciona lá!!
Até mais, e obrigada pelos peixes!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Buenas!

Parece difícil acreditar, mas, sim, eu criei um blog. Já aconteceu de eu ter um, lá por 2002 ou 2003, no Blig (que tal?). Antes eu tinha uma página no HPG, depois eu tive um Fotolog...
Agora tenho um blog de novo.

Mas... por quê?

Ainda não tenho certeza. Vou descobrindo...

Enquanto isso...



 ...sei que a resposta do meu pedido lá no Facebook vai ser respondida aqui. Várias pessoas me indicaram livros que elas adoram e a cada livro que eu ler dessa lista, vou escrever algo aqui. Nada muito sério, mas também uma forma de eu lembrar o que achei deles.

O primeiro livro que estou lendo é Frankenstein, de Mary Shelley, indicado pelo Domênico. Logo eu termino ele, logo eu escrevo sobre.

Bem, até mais, e obrigada pelos peixes!